março 18, 2011

Anexo ao meu diário - #2


Arminho amanhecer com incompletos sentidos, adorna a mesa da desilusão. Dista, distante de desejos despojados, doridos das dispersões descoordenadas, desconcentrador de duvidas, distribuidora de dardos difíceis de digerir. Monossilabicamente chegam as manhãs, de heterocromatina concentrada, dissolvida no vinho e barrada no fresco pão, que parte os frágeis dentes do que se julga o mais forte. Migalhas invejosas humedecidas com o sumo do ciúme, 100% concentrado de ímpetos humanóides, origem animal. Iguaria servida no prato matizado a desconforto. Com o garfo bífido do desespero, e a faca, enguia esguia, da competição rasga o estorvo, engole o inalcançável, mágoa mecanicamente triturada, cuspida como saliva. Negando o visível. Cara corada com círculos concisos, conceptuais, catalíticos. Cobarde coração correndo contra construções compadecentes com carismáticos capítulos caóticos. Do copo cavo bebe a fúria de quem para trás fica com o sentimento de incompetência, impotência impertinente, reversível mas não apetecível. Com a água suja pela leviandade lava a fruta perversa e retira, delicadamente, as grainhas da mesquinhez, enlevado, morde-as proveitosamente, alimentando o negro extinguindo o níveo. Patriarca, mau mestre. Nesta mesa do desengano individual, o patriarca retrógrado, reducionista, não aceita a evolução da ninhada. O mestre é agora outro… outro que na mesa da desilusão se senta na cadeira dos horizontes ilimitados, o orgulho transbordante por uma ninhada que não é sua. Isso dói, mói. Machuca e humilha uma auto-imposta superioridade irreal, por ele proclamada e por nenhum outro aclamada. Frio, fútil, frigido fugaz, feio, figurante numa personagem principal que nunca foi sua, patriarca de ideias estanques na névoa raivosa. Ocos elogios são lançados pelas vocais patriarcais. Tretas sem sentido que diz só porque a situação o pede, mesmo quando o coração as nega. Até nas melhores e mais saudáveis famílias a competição exacerbada e a inveja inevitável, corrompe as frágeis ligações sedosamente podres. Quem não compreende nega, chama loucura. Quem compreende ri, comunica, vive. Outra manhã surgirá e com ela a minha estúpida credulidade.

Triste? Não, é apenas a minha realidade... tão simples como isso. Daqui a pouco, fumo a desilusão de mim mesma fundida com o ódio que me oferecem, seco divagações, tudo volta ao normal.

6 comentários:

carlos disse...

Ha dis assim Benedita. Nada que um gesto amigo, uma recordação agradavel não possam aliviar.Hoje não é dia de sarcasmo, é dia de miminho. Um bom resto de dia.

Di Almeida disse...

Deves ter a puta da mania que sabes sinónimos giros.Depois dizem que és incompreensível tá?muhaahahahahahah

Goizzzzzz disse...

fodasse perdime pa
fodasse
olha gosto da foto!

António Branco disse...

maus mestres podem lançar dardos que coleccionamos. para que um dia a sua cromatina não nos faça em nós o que já vimos... e para que a nossa não os recrie... lançando então nós os nossos dardos. indigeríveis...

Ivânia Santos (Diamond) disse...

Excelente texto!

xoxo*

Anónimo disse...

http://estanoite.blogs.sapo.pt/